O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) publicou em 2026 novas resoluções que impactam diretamente a operação de milhares de empresas brasileiras. Novos limites de emissão, prazos de adequação reduzidos, e exigências técnicas mais rigorosas para resíduos industriais.

Este artigo traduz as principais mudanças para a prática empresarial, com prazos, impactos por setor, e um checklist de adequação.

O que é o CONAMA e por que importa

O CONAMA é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Criado pela Lei 6.938/81, ele tem poder de editar resoluções — normas com força de lei — que estabelecem padrões ambientais, licenciamento, e gestão de resíduos.

Diferente de leis (que tramitam no Congresso), resoluções do CONAMA são publicadas diretamente e entram em vigor em prazos curtos (60 a 180 dias). Isso significa que uma resolução pode mudar completamente as exigências ambientais da sua empresa de um mês para o outro.

Por que o CONAMA importa para sua empresa:

Em outras palavras: se você opera uma empresa com potencial impacto ambiental, as resoluções do CONAMA definem o que você pode ou não pode fazer.

Principais resoluções 2026

Resolução CONAMA 512/2026 — Resíduos industriais (publicada em janeiro/2026)

O que muda: Novos critérios de classificação de resíduos industriais. Resíduos que antes eram Classe II (não perigosos) passaram para Classe I (perigosos) se conterem traços de metais pesados acima de novos limites.

Impacto: Indústrias que antes destinavam resíduos para aterros comuns precisam agora destinar para aterros Classe I (custo 3x maior) ou implementar tratamento prévio.

Prazo de adequação: 180 dias a partir da publicação (julho/2026).

Setores mais impactados: Metalurgia, galvanoplastia, indústria química, tintas, baterias.

Ação obrigatória: Refazer caracterização de resíduos (laudo técnico) para verificar se algum resíduo mudou de classe. Custo médio: R$ 2.500 por resíduo.

Resolução CONAMA 513/2026 — Emissões atmosféricas (publicada em fevereiro/2026)

O que muda: Novos limites de emissão de particulados (MP10 e MP2.5) para fontes fixas (chaminés industriais). Limite anterior: 120 mg/Nm³. Novo limite: 80 mg/Nm³.

Impacto: Empresas que operam caldeiras, fornos, incineradores precisam instalar ou melhorar sistemas de controle de emissões (filtros, lavadores de gases).

Prazo de adequação: 12 meses a partir da publicação (fevereiro/2027).

Setores mais impactados: Cerâmicas, siderúrgicas, cimenteiras, fundições, indústria de alimentos (secagem).

Ação obrigatória: Realizar medição de emissões (stack test) e, se acima do limite, dimensionar sistema de controle. Custo de sistema de filtros: R$ 50.000 a R$ 500.000 conforme porte.

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Resolução CONAMA 514/2026 — Efluentes industriais (publicada em março/2026)

O que muda: Novos parâmetros de lançamento de efluentes em corpos hídricos. Inclusão de 12 novos poluentes emergentes (microplásticos, fármacos, hormônios) nos limites de lançamento.

Impacto: Estações de tratamento de efluentes (ETEs) precisam de upgrade para remover poluentes emergentes. Tecnologias necessárias: osmose reversa, ozonização, carvão ativado.

Prazo de adequação: 24 meses a partir da publicação (março/2028).

Setores mais impactados: Indústria farmacêutica, hospitais, lavanderias industriais, indústria têxtil, frigoríficos.

Ação obrigatória: Realizar análise de efluentes para os novos parâmetros. Se acima dos limites, projetar upgrade da ETE. Custo médio de upgrade: R$ 100.000 a R$ 2.000.000 conforme porte.

Resolução CONAMA 515/2026 — Logística reversa de embalagens (publicada em março/2026)

O que muda: Metas de reciclagem de embalagens pós-consumo aumentaram. Fabricantes e importadores devem comprovar reciclagem de 50% das embalagens colocadas no mercado até 2028 (antes era 25%).

Impacto: Empresas que fabricam ou importam produtos embalados precisam estruturar ou expandir sistemas de coleta e reciclagem.

Prazo de adequação: Meta gradual — 35% em 2027, 50% em 2028.

Setores mais impactados: Alimentos e bebidas, cosméticos, produtos de limpeza, eletrônicos.

Ação obrigatória: Aderir a acordo setorial de logística reversa ou estruturar sistema próprio. Custo varia — taxa média de R$ 0,10 a R$ 0,50 por embalagem via acordo setorial.

Impacto nos resíduos industriais

A Resolução 512/2026 foi a mais impactante. Vamos detalhar:

Resíduos reclassificados de Classe II para Classe I:

Consequências práticas:

Para entender melhor as obrigações sobre PNRS na prática, leia nosso artigo completo.

Novos limites e padrões

Emissões atmosféricas (Resolução 513/2026):

Poluente Limite anterior Novo limite (2026) Redução
Particulados (MP10) 120 mg/Nm³ 80 mg/Nm³ -33%
Óxidos de nitrogênio (NOx) 500 mg/Nm³ 350 mg/Nm³ -30%
Óxidos de enxofre (SOx) 1.000 mg/Nm³ 800 mg/Nm³ -20%
Monóxido de carbono (CO) 1.500 mg/Nm³ 1.200 mg/Nm³ -20%

Limites aplicam-se a fontes fixas (caldeiras, fornos, incineradores) com potência térmica acima de 1 MW.

Efluentes industriais (Resolução 514/2026):

Novos parâmetros incluídos (antes não regulados):

Para saber como preparar um PGRSS com eficiência, leia nosso guia prático.

Prazos de adequação por setor

Indústria (geral):

Serviços de saúde:

Comércio e serviços:

Agropecuária:

O papel do responsável técnico

Todas as adequações exigem responsável técnico habilitado (engenheiro ambiental, químico, sanitarista). É ele quem:

Contratar RT (responsável técnico) custa entre R$ 3.000 e R$ 15.000 conforme complexidade do projeto. Não contratar = impossível licenciar ou adequar.

Consulte nosso guia completo de licenciamento ambiental para entender o papel do RT no processo.

Checklist de adequação

Passo 1 — Diagnóstico (até maio/2026)

Passo 2 — Análise técnica (até junho/2026)

Passo 3 — Projeto de adequação (até julho/2026)

Passo 4 — Execução (conforme prazos por resolução)

Passo 5 — Monitoramento (contínuo)

Conclusão: As resoluções CONAMA 2026 elevaram o padrão ambiental brasileiro. Para empresas, isso significa investimento em adequação — mas também competitividade. Empresas em conformidade ganham vantagem em licitações, financiamentos, e relacionamento com clientes que exigem ESG.

O prazo está correndo. Não espere julho/2026 chegar para começar o diagnóstico. Empresas que se anteciparem terão tempo de negociar preços, parcelar investimentos, e evitar a correria de última hora (que sempre sai mais caro).

A regulamentação ambiental não vai voltar atrás. Ou você se adapta, ou fica para trás.